segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dois Mundos

(Márcia Chicareli Costa)




O mundo fora de mim tem sido tão cruel.

Meu mundo interno tão generoso.

Sinto que a vida vem madura e me atura na intolerância de não tê-lo aqui!

Quem é você? Por anda, o que fazes, do que gosta...

Que ser oculto que misteriosamente arranca suspiros de um coração recém saído dos escombros de um amor perdido!

Ameaça e convida a uma felicidade que está presente em mim inteira e não em parte de mim.

Sou e não tenho. Quero e não nego! Corro e fico parada. Nada disso eu entendo.

Porque do beijo brota do gosto, do abraço a sensação de descanso, do encontro a plenitude da presença.

Ei! Não negue a você o que passa pela pele e arrepia, pelos ouvidos e contagia...

Vem! Sem medo, ou com medo venha aqui é seguro, tem chão para pisar e ninguém para esmagar a eternidade daquilo que é!

Dói o medo de perder, dói à vida daquilo que morreu, escorrega porque pertence a um momento passado. Calado, me ouça mais um pouco, falo de mim e não de você.

Tente, ainda que não consiga suportar!

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