Márcia Chicareli Costa
Oi, Pai!!
Mais um ano sem você e a vida insiste em continuar. Confesso que gosto disso tudo e a cada projeto concluído agradeço por ter sido você o meu orientador na vida. Quantas coisas, daquelas que conversávamos faço uso no meu dia-a-dia tão intenso de pessoas e de vida. Conto para as pessoas que você me colocava para procurar palavras no dicionário e elas riem, porque na verdade Pai, isso é engraçado!!
Meu grande Mestre Pai, homem de garra e generosidade a flor da pele. Bom! Como era previsto construí em mim um ser em si bem rígido a exemplo das coisas que aprendi contigo. Mas a vida foi acontecendo e eu compreendendo que a rigidez não me levaria a lugar nenhum e com muita coragem fui amolecendo para algumas coisas. Hoje em dia aceito muito mais que aceitava quando era apenas uma menina com a fantasia de salvar o mundo. Hoje Pai, tento me salvar do mundo. A violência tem aumentado a passos muito largos velho! A política esqueceu da educação e da saúde e os seres humanos ficam cada vez mais desumanos e a questão do amor, que tanto discutíamos está cada vez mais banalizada, pessoas hoje são absolutamente descartáveis Pai, as famílias não se unem com o intuito sereno de trocar afeto, mas competem entre si e querem sempre se sobressair uns em relação aos outros. Tenho vivenciado rompimentos e afastamentos porque agora sei quem e o que eu quero para minha vida Pai. É, pode ser, que eu tenha ficado mais exigente. Tenho esbarrado muita gente do bem, mas as do mal também. Pessoas que pensam diferente da norma são dadas como loucas e meu consultório tem lotado de sofrimento sem fim. O que faço com isso, só eu sei na hora em que vivo. Estou lá, como já era previsto, dando aula e tentando com isso e o efeito formiga mudar a contextualização tão sem pé nem cabeça que a norma tenta aplicar. Encontro gente que suporta as diferenças e nelas cresce e outras que fazem da diferença um sofrimento imenso, uma eternidade virada de costas para aquilo que é possível acreditar. Mas confesso que tenho amado, sim, eu amo muito. Vivo em pleno estado de amor e por isso sinto tanta dor, amar dói, amar desprende energia, desejo o de sempre, que pessoas possam amar também. É Pai, eu consegui. Deu certo um tanto de coisas. Tudo o que eu imaginava e não verbalizava e ainda muitas outras estão por acontecer. Minha pequena menina se forma na Universidade este ano, sim, mais uma Psicóloga na família, veja você, que gostava de ler Freud para depois discutirmos, agora teria em vida e aqui no plano terreno duas pessoas que poderiam ajudar nas reflexões sem fim...
Pai, nosso pequeno já está grande também, um pequeno Príncipe, que se mostra eternamente responsável por todos que ele cativa, é um carismático de carteirinha, dança nas festas de quinze anos das amigas e mais que isso, encanta o mundo por onde passa com a leveza de ser um homem em formação, um homem que representa e apresenta a vida para si como sendo sempre muito possível. Dezoito anos meu velho e eu fui indo, caminhando, com muita saudade guardada no peito e muito desejo de que de onde você estiver você possa ser feliz e nos acompanhar para sempre. Sinto tanto a sua falta, sinto tanto...mas eu consegui, conforme combinado aqui.
Bom, perdi mesmo sua aliança quando você foi internado Pai, mas eu rezei naquele dia e disse a Deus que ela só sairia do meu dedo quando você se recuperasse e você morreu, evidentemente a aliança desapareceu, nunca mais a encontrei mas sigo procurando, não aquela você sabe, mais a minha aliança de amor eterno, amor imenso, incondicional, amor para amar!
Com carinho me despeço e deixo a mensagem nas entrelinhas, Paz, Amor, União, Luz e Onipotência de Deus! Pai Paulo...
Assim seja, Graças a Deus e Graças a Jesus! Amém...
sábado, 24 de outubro de 2009
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